Estresse e Burnout - semelhanças e diferenças


János Hugo Bruno "Hans" Selye, um médico canadense-húngaro, cunhou a primeira definição de "estresse" na década de 1930.

Ele pegou emprestada a palavra de Robert Hooke, físico inglês do século 17, que descreveu a relação entre estresse físico sobre um objeto e a consequente tensão. Selye teria se arrependido de ter usado a palavra "estresse" em vez de "tensão", o que deixou o primeiro termo com um legado de certa ambiguidade.

Desde a época de Selye, pesquisas revelaram que uma reação aguda de estresse decorre de uma rica tapeçaria de processos.

Os efeitos de uma reação de estresse aguda e saudável são, em sua maioria, temporários, cessando quando uma experiência estressante termina. E quaisquer efeitos duradouros podem às vezes nos deixar melhor do que antes.

Estudos em ratos, por exemplo, descobriram que o estresse por algumas horas pode aumentar o número de células cerebrais "recém-nascidas" em uma parte do cérebro, o que pode corresponder a um melhor desempenho em certos tipos de testes de memória.

Porém, o estresse muito frequente, muito intenso ou mesmo constante nos coloca sob tensão prolongada. Vários dos agentes envolvidos no estresse passam a reagir de forma não-linear - seus efeitos mudam de curso com a atividade prolongada. Como resultado, o estresse crônico induz uma mudança gradual e persistente nos parâmetros psicológicos e fisiológicos que tendem a caminhar por rumos incertos e desordenados.

Os braços simpáticos e parassimpáticos do sistema nervoso autônomo - uma rede nervosa que controla processos involuntários, como pressão sanguínea, respiração e digestão - desempenham um papel crucial no desenvolvimento da resposta aguda ao estresse.

Durante períodos de medo ou raiva, a atividade simpática (responsável pela resposta de "luta ou fuga") sobe temporariamente e a atividade parassimpática (das respostas "repousar e digerir") diminui. Se esse padrão de atividade persistir na ausência de estresse, no entanto, esse processo pode levar a hipertensão e outras doenças. 

Da mesma forma, enquanto a reatividade emocional temporária sob estresse agudo nos ajuda a prever o perigo, uma mudança sustentada na dinâmica da regulação emocional pode nos levar a transtornos de humor.

É importante destacar que o estresse possui três fases: 

Fase de Alerta: ocorre quando o indivíduo entra em contato com o agente estressor.

Fase de Resistência: o corpo tenta voltar ao seu equilíbrio. O organismo pode se adaptar ao problema ou eliminá-lo.

Fase de Exaustão: nessa fase podem surgem diversos comprometimentos físicos em forma de doença.

É nessa última fase que ocorre a Síndrome de Burnout.

Se você dissesse que estava sofrendo de "burnout" no início dos anos 1970, as pessoas pensariam que você estava usando drogas pesadas.

Na época, o termo era usado informalmente para descrever os efeitos colaterais do consumo destas substâncias, como um prejuízo às faculdades mentais, por exemplo.

No entanto, quando o psicólogo alemão-americano Herbert Freudenberger reconheceu o problema do esgotamento profissional na cidade de Nova York em 1974, em uma clínica para viciados e pessoas sem-teto, ele não estava pensando em usuários de drogas.

Os voluntários da clínica também estavam lutando contra um problema: a rotina de trabalho intensa levava muitos a se sentirem desmotivados e emocionalmente esgotados. Embora uma vez tivessem achado seus empregos gratificantes, eles estavam deprimidos e não davam aos seus pacientes a atenção devida.

Freudenberger definiu essa nova condição como um estado de exaustão causado pelo excesso de trabalho prolongado - e pegou emprestado o termo burnout para descrevê-lo.

Hoje, o esgotamento profissional é um fenômeno global. Em 2019, a condição foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma síndrome ocupacional "resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso".

Segundo a OMS, esse tipo de esgotamento não é uma doença ou condição médica, mas um fator que influencia nossa saúde.

Há três elementos principais: sentimentos de exaustão, distanciamento mental do trabalho e pior desempenho profissional.

Mas, ao notar esses sinais, não espere estar totalmente esgotado para fazer algo a respeito - você não aguardaria para tratar qualquer outra doença até ser tarde demais.

Em suma, o estresse se difere do burnout justamente por essa última ser encontrada na última fase da primeira, além de estar relacionada ao ambiente laboral. 


FONTE:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-50913823#:~:text=H%C3%A1%20tr%C3%AAs%20elementos%20principais%3A%20sentimentos,doen%C3%A7a%20at%C3%A9%20ser%20tarde%20demais.

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/253_estresse.html#:~:text=A%20rea%C3%A7%C3%A3o%20ao%20estresse%20%C3%A9,%3A%20alerta%2C%20resist%C3%AAncia%20e%20exaust%C3%A3o.

https://www.bbc.com/portuguese/revista-49339501

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